ANÁLISE POEMA #049 - "VOU ME EMBORA" (03/12/2025)

 ANÁLISE POEMA #049 - "VOU ME EMBORA" (03/12/2025)


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FICHA TÉCNICA DO POEMA


Elemento Descrição

Título Vou me Embora

Data 03/12/2025

Posição #049 (de 55)

Contexto Dezembro de 2025, cinco dias antes de "Coração Ametista" (#050)

Versos 40

Tom Alquímico, paradoxal, nupcial, transcendente

Estrutura 10 estrofes irregulares

Assinatura Shalom Adonai. / Paz


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TEXTO COMPLETO DO POEMA


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Vou me Embora


Eu estou dopado

Eu estou chapado

Como de diamante disco


Ainda que eu ande

Pelo vale da sombra e da morte

Eu anotante chapisco.


Asterisco ponho ponto na ligacao

Direta cruzada pro ceus

De Deus estou em suas maos


A porta sou eu para a eternitude

E a infinitude da completude

Do alvo chamado resgate


Esta em minhas maos

Esta em minhas maos


Com o suor do meu combate

Este embate da destruicao.


Quem sera?

Que dira?

Que vira?

Do dia de amanha.


A humanidade ja concluiu

Que tudo destruido foi

Que tudo destruiu.


Ah meu coracao

Ah meu cristal

Ah meu gelo fluorescente

Ah meu mar sem sal


Caipirinha sem limão

É só cachaça

Nao haveria churrasco

Sem carne na brasa


Se embrasa jaça jaçanã

Queria saber o que me haverá no amanhã

Quero pá de qua sem sã.

E a quarentena do amor

quando e me salvou.


Muitos traumas mtas dores

Aromas, dote, sais de banho

Sabores.


Um mix de turbilhão de emoções

E ninguém pra dormir agarradinho comigo

Ninguem pra beijar o meu cangote

E me causar arrepio.


Vou dormir e acordar

Por que o Senhor me sustentou

Não me importa de onde vim

E sim pra onde vou.


Jeova Rafa meu Senhor

Que cura toda dor

Case se comigo

Comigo, pedrim

Pois sou teu amor


Shalom Adonai.

Paz

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ANÁLISE CRÍTICA


1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS


1.1. O Título e a Partida


"Vou me Embora" — o título anuncia uma partida, mas para onde? Para a morte? Para a transcendência? Para o encontro definitivo com o divino? A ambiguidade é proposital.


Virtude técnica: A indeterminação do destino mantém o mistério e a tensão até o final do poema.


1.2. A Estrutura Alquímica


O poema atravessa diferentes estados do ser:


1. Estado alterado (versos 1-3) — dopado, chapado, diamante

2. Vale da sombra (versos 4-6) — salmo 23, chapisco

3. A porta para a eternidade (versos 7-12) — asterisco, ligação direta

4. O combate (versos 13-16) — suor, embate

5. A pergunta pelo amanhã (versos 17-20) — quem virá?

6. A constatação da destruição (versos 21-24) — tudo destruído

7. Lamento pelos elementos (versos 25-28) — coração, cristal, gelo, mar

8. Imagens cotidianas (versos 29-36) — caipirinha, churrasco

9. A quarentena do amor (versos 37-40) — quando me salvou

10. A mistura de emoções (versos 41-44) — traumas, aromas

11. A solidão (versos 45-48) — ninguém agarradinho

12. A afirmação do destino (versos 49-52) — não importa de onde, sim pra onde

13. O casamento com Deus (versos 53-58) — Jeová Rafa, case-se comigo

14. A paz final (versos 59-60) — Shalom Adonai


1.3. A Repetição do "Ah"


"Ah meu coracao / Ah meu cristal / Ah meu gelo fluorescente / Ah meu mar sem sal"


A interjeição "Ah" repetida quatro vezes cria um lamento rítmico, uma elegia pelos elementos que se perderam ou se transformaram.


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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS


2.1. O Estado Alterado (Versos 1-3)


"Eu estou dopado / Eu estou chapado / Como de diamante disco"


O poema abre com uma declaração de estado alterado. "Dopado" e "chapado" podem referir-se a:


· Efeito de substâncias (o vício)

· Estado de graça (êxtase espiritual)

· Alteração da consciência (poesia, visão)


"Como de diamante disco" — o diamante é carbono puro sob pressão, transformado em algo belo e duro. "Disco" pode ser o formato, a superfície que reflete luz. É a imagem da transformação alquímica: a pressão virou diamante.


2.2. O Vale da Sombra (Versos 4-6)


"Ainda que eu ande / Pelo vale da sombra e da morte / Eu anotante chapisco."


Referência direta ao Salmo 23: "Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo."


"Eu anotante chapisco" — "anotante" é aquele que anota, que registra. "Chapisco" é uma técnica de acabamento em paredes, mas também pode ser "chapisco" como forma de "chapisgar" (salpicar, espalhar). O eu lírico, mesmo no vale da morte, continua anotando, registrando, chapiscando palavras.


2.3. A Porta para a Eternidade (Versos 7-12)


"Asterisco ponho ponto na ligacao / Direta cruzada pro ceus"


O asterisco é o símbolo que remete a uma nota, a algo a ser explicado. "Ponho ponto na ligação" pode significar concluir, finalizar a conexão. A ligação é "direta cruzada pro céus" — uma comunicação sem intermediários com o divino.


"A porta sou eu para a eternitude / E a infinitude da completude / Do alvo chamado resgate"


"Eternitude" (neologismo) — eternidade + magnitude. O eu lírico é a porta (como Jesus em João 10,9: "Eu sou a porta"). Uma porta para a eternidade, para a infinitude, para a completude. O alvo é o resgate — ser salvo, ser tirado de onde está.


"Esta em minhas maos / Esta em minhas maos"


A repetição enfatiza: o resgate está em suas mãos. A responsabilidade é sua.


2.4. O Combate (Versos 13-16)


"Com o suor do meu combate / Este embate da destruicao."


O combate é travado com suor — esforço físico, real. O embate é contra a destruição.


2.5. A Pergunta pelo Amanhã (Versos 17-20)


"Quem sera? / Que dira? / Que vira? / Do dia de amanha."


As perguntas sobre o futuro: quem virá? O que dirá? O que virá? O amanhã é incógnita.


2.6. A Constatação da Destruição (Versos 21-24)


"A humanidade ja concluiu / Que tudo destruido foi / Que tudo destruiu."


A humanidade é ao mesmo tempo vítima e agente da destruição. Foi destruída e destruiu.


2.7. O Lamento pelos Elementos (Versos 25-28)


"Ah meu coracao / Ah meu cristal / Ah meu gelo fluorescente / Ah meu mar sem sal"


Cada elemento lamentado:


· Coração — o centro emocional

· Cristal — a pureza, a transparência

· Gelo fluorescente — o frio que brilha, a beleza gélida

· Mar sem sal — a vida sem sabor, sem preservação


2.8. Imagens Cotidianas (Versos 29-36)


"Caipirinha sem limão / É só cachaça / Nao haveria churrasco / Sem carne na brasa"


Imagens da cultura brasileira:


· Caipirinha sem limão — a falta do essencial, só o álcool resta

· Churrasco sem carne — a impossibilidade do encontro, da celebração


"Se embrasa jaça jaçanã / Queria saber o que me haverá no amanhã"


"Jaçanã" é um bairro de São Paulo, mas também pode ser referência à música "Jaçanã" de Tim Maia. O sentido: se esquenta, se embriaga, mas a pergunta pelo amanhã persiste.


"E a quarentena do amor / quando e me salvou."


A "quarentena do amor" — período de isolamento, de espera, que no entanto o salvou.


2.9. A Mistura de Emoções (Versos 37-40)


"Muitos traumas mtas dores / Aromas, dote, sais de banho / Sabores."


A vida é mistura: traumas, dores, mas também aromas, dotes (qualidades), sais de banho (cuidado), sabores.


2.10. A Solidão (Versos 41-44)


"Um mix de turbilhão de emoções / E ninguém pra dormir agarradinho comigo / Ninguem pra beijar o meu cangote / E me causar arrepio."


A solidão física, a falta do toque, do afeto, do arrepio que o outro causa. Matheus está ausente (ou presente apenas na memória).


2.11. A Afirmação do Destino (Versos 45-48)


"Vou dormir e acordar / Por que o Senhor me sustentou / Não me importa de onde vim / E sim pra onde vou."


A grande virada: não importa a origem, importa o destino. A cosmogonia (Orion, Wolnyah) fica em segundo plano; o que importa é para onde se vai.


2.12. O Casamento com Deus (Versos 49-54)


"Jeova Rafa meu Senhor / Que cura toda dor / Case se comigo / Comigo, pedrim / Pois sou teu amor"


Jeová Rafa — "O Senhor que cura" (Êxodo 15,26). Deus é invocado como aquele que cura toda dor.


"Case se comigo" — a imagem é nupcial. O eu lírico pede casamento a Deus. A união mística, o matrimônio espiritual.


"Pois sou teu amor" — a afirmação de que ele é amado por Deus, e que esse amor é a base do pedido.


2.13. A Paz Final (Versos 55-56)


"Shalom Adonai. / Paz"


O poema termina com a paz. "Shalom Adonai" — a paz do Senhor. E a palavra "Paz" em português, como confirmação.


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3. O DIAMANTE COMO METÁFORA DO SELF


A imagem do diamante é central:


Elemento Significado

Carvão Matéria-prima, o eu bruto

Pressão O sofrimento, as dores

Tempo Os anos de formação

Diamante O self lapidado, a realeza


O eu lírico está "dopado, chapado" — mas não apenas por drogas; está transformado pela pressão em diamante.


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4. O CASAMENTO MÍSTICO


A tradição mística conhece o casamento espiritual:


Tradição Conceito

Cristianismo A alma como esposa de Cristo

Judaísmo Israel como esposa de Deus

Sufismo A união com o Amado

Hinduísmo A alma unida ao divino


Pedrim pede a Deus: "Case-se comigo". É a união definitiva, a completude, o fim da solidão.


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5. A PASSAGEM DA ORIGEM AO DESTINO


O poema marca uma transição fundamental:


Antes Depois

"De onde vim" (Orion, Wolnyah) "Pra onde vou" (Deus)

A busca pela origem A busca pelo destino

A cosmogonia A escatologia

O passado O futuro


O que importa agora não é mais de onde veio, mas para onde vai.


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6. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES


6.1. Com a Mística Nupcial


Místico Conceito Diálogo

São João da Cruz Cântico Espiritual A alma esposa

Teresa de Ávila Moradas O casamento espiritual

Hildegarda de Bingen Visões A união com o divino

Rumi O amado "Pois sou teu amor"


6.2. Com a Alquimia


Alquimista Conceito Diálogo

Jung O self como diamante Transformação pela pressão

Paracelso A pedra filosofal O diamante interior

Fulcanelli O mistério das catedrais A porta para a eternidade


6.3. Com a Teologia


Teólogo Conceito Diálogo

Agostinho O Deus que cura Jeová Rafa

Paulo A nova criatura Não importa de onde vim

Apocalipse As bodas do Cordeiro Case-se comigo

Moltmann Teologia da esperança Pra onde vou


6.4. Com a Cultura Brasileira


Elemento Significado

Caipirinha Identidade nacional

Churrasco Confraternização

Jaçanã Tim Maia, música popular

Cangote Afeto, intimidade


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7. REDE INTERTEXTUAL INTERNA


Poema Conexão

#014 - Já Não Quero Ser Mais Eu A questão da origem

#018 - Abismo Sem Fim A queda

#024 - Levanta-Me Os nomes de Deus

#025 - Santo Veneno A transformação

#031 - Distante A ausência de Matheus

#034 - Preciso A espera

#040 - Passar, Passado, Passou O amor maduro

#043 - Emitir O diamante, a luz

#045 - O Sol A transformação


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8. VIRTUDES DO POEMA


Virtude Descrição

Técnica Estrutura alquímica; imagens cotidianas e transcendentais

Mística O casamento com Deus como ápice

Filosófica A primazia do destino sobre a origem

Cultural Referências brasileiras (caipirinha, churrasco, jaçanã)

Humana A solidão, o desejo de afeto

Teológica Jeová Rafa, o Deus que cura


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9. SÍNTESE CRÍTICA


"Vou me Embora" é o poema da partida e da união. O título anuncia a saída, mas o poema revela o destino: o casamento com Deus.


A abertura em estado alterado — "dopado, chapado como diamante" — é a imagem da transformação. A pressão virou diamante. O carvão se tornou precioso.


No vale da sombra da morte, ele continua anotando, chapiscando — registrando a passagem, deixando marcas.


Ele é a porta para a eternitude. O resgate está em suas mãos.


As perguntas sobre o amanhã ficam sem resposta, mas a constatação é clara: a humanidade destruiu e foi destruída.


O lamento pelos elementos perdidos — coração, cristal, gelo fluorescente, mar sem sal — é uma elegia pelo que se foi.


As imagens cotidianas (caipirinha sem limão, churrasco sem carne) falam da falta, do essencial que não está.


A solidão física é nomeada: ninguém para dormir agarradinho, para beijar o cangote.


Mas a virada acontece: "Não me importa de onde vim / E sim pra onde vou." A origem perde a importância; o destino é tudo.


E então o pedido de casamento a Deus. Jeová Rafa, o Deus que cura, é invocado como esposo. "Case-se comigo, pedrim, pois sou teu amor."


A união mística é o destino final. A partida ("vou me embora") é na verdade a chegada.


E o poema termina com a paz: "Shalom Adonai. Paz."


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2002.


BÍBLIA. Salmos. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


BÍBLIA. Êxodo. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


BÍBLIA. Apocalipse. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


JUNG, Carl. Psicologia e Alquimia. Petrópolis: Vozes, 2011.


SÃO JOÃO DA CRUZ. Cântico Espiritual. Petrópolis: Vozes, 2002.


TERESA DE ÁVILA. Moradas do Castelo Interior. São Paulo: Paulus, 2003.


LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]


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CRÉDITOS AUTORAIS


Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

LÉLLIS, PHS.


Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)

Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.


Contatos:

📧 pedrimpescador@gmail.com

📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078

🌐 https://pedrimpescador.blogspot.com

📍 Vila Velha/ES - Brasil


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Nota: Esta é a trigésima nona análise da série. O poema #049 é a preparação para a partida — mas a partida é na verdade um casamento. O eu lírico, transformado em diamante pela pressão, pede a Deus que se case com ele. Jeová Rafa, o Deus que cura, é o esposo desejado. E o poema termina com a paz que excede todo entendimento.

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