ANÁLISE POEMA #048 - "FECHEM-SE OS OLHOS" (12/2025)
ANÁLISE POEMA #048 - "FECHEM-SE OS OLHOS" (12/2025)
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FICHA TÉCNICA DO POEMA
Elemento Descrição
Título Fechem-se os Olhos
Data Dezembro de 2025 (dia não especificado)
Posição #048 (de 55)
Contexto Dezembro de 2025, aproximando-se do fim do ano e da obra
Versos 48
Tom Místico, sensorial, redentor, onomástico
Estrutura 12 estrofes irregulares
Assinatura Deus Jeová / Una Terras céus e céu!
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TEXTO COMPLETO DO POEMA (CORRIGIDO)
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Fechem-se os Olhos
Fechei me para não ver
Mas instintir de onde vem
A luz do sobrenatural
Me libertar do que me entretém
Preciso sentir pelo cheiro
Farejar onde Deus está
Como fumaça ou perfume marcante
Inebriante ar
De olhos vendados eu vou
Arquejar meu arco com as setas de minha aljava
disparar para além do infinito
Aquilo que tenho esperado escrito e dito
Grito
Grito
Grito
Grito
Nós olhares
Nós pensares
Nós audares
Perscrutares
Envolver me ei em trevas
Vou me vestir de novo de preto
Agourando o breu, gato negro (natural).
Muitas vezes me pergunto
O por que é o que me aconteceu.
Fui eu que fechei a janela
E me tornei irresponsável.
Mas eu fechei os olhos para não ver
Levantei as narinas para sentir
O suave cheiro do meu Deus
Para com ele, ao meu povo, servir.
Servir
Servir
Servir
Sou o menor na casa de meu pai.
Sempre preparei a cama a sala a mesa
Lavei roupas plantei mudas amassei pão
Mas no meu coração sorvi tristeza.
Depois que me afastei da minha vida
Me afastei dos meus amigos e família
Enquanto servi fui bem quisto
Mas afastado tido por esquisito.
Fui ferido pelas minhas lembranças
Minhas lembranças
Lembranças
Lembranças
Até que um dia eu redescobri
O pequeno príncipe que escrevi
E a nobreza que eu trago
Desde a minha infância.
Que eu saiba quem eu sou
Que se saiba quem eu sou.
Que não esqueçam quem eu sou
E que eu mostre novamente
A todos,
Quem eu sou.
YahWeh shama
Nissi eloa elohim
Tsebaoth.
Kadosh
Adonai
Eloi.
El elion
Elioneai
Eliel.
Deus Jeová
Una Terras céus e céu!
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ANÁLISE CRÍTICA
1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS
1.1. O Título e a Inversão Sensorial
"Fechem-se os Olhos" — o título propõe uma inversão epistemológica: não é vendo que se encontra a verdade, mas fechando os olhos para sentir por outros meios.
Virtude técnica: O imperativo "fechem-se" convoca o leitor a participar dessa inversão, a experimentar o mundo não pela visão, mas pelo cheiro, pela intuição, pelo espírito.
1.2. A Estrutura da Redescoberta
O poema segue um movimento de descida e redescoberta:
1. Fechar os olhos para ver (versos 1-4) — instintir a luz sobrenatural
2. Sentir pelo cheiro (versos 5-8) — farejar Deus
3. O arqueiro cego (versos 9-12) — disparar para além do infinito
4. O grito (versos 13-16) — quatro vezes
5. A percepção ampliada (versos 17-20) — olhares, pensares, audares
6. Vestir-se de preto (versos 21-24) — agourando o breu, gato negro
7. A pergunta pela culpa (versos 25-28) — fechei a janela?
8. O serviço pelo cheiro (versos 29-32) — servir
9. A humildade (versos 33-36) — o menor na casa do pai
10. O afastamento (versos 37-40) — esquisito
11. As lembranças (versos 41-44) — ferido pelas memórias
12. A redescoberta (versos 45-48) — o pequeno príncipe, a nobreza
13. A afirmação (versos 49-52) — que saibam quem eu sou
14. Os nomes de Deus (versos 53-64) — invocação final
1.3. A Correção do Texto
Os versos corrigidos — "Vou me vestir de novo de preto / Agourando o breu, gato negro (natural)" — trazem duas imagens precisas:
· Vestir-se de novo de preto — retomar a identidade negra, a vestimenta da noite, do mistério
· Agourando o breu — "agourar" pode significar pressentir, augurar, anunciar; o breu é a escuridão total, mas também a resina usada em instrumentos
· Gato negro (natural) — o gato preto, associado ao mistério, à magia, à intuição, mas aqui afirmado como "natural" — não sobrenatural, não assombração, mas parte da natureza
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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS
2.1. Fechar os Olhos para Ver (Versos 1-4)
"Fechei me para não ver / Mas instintir de onde vem / A luz do sobrenatural"
O eu lírico fecha os olhos voluntariamente — não para se isolar, mas para instintir (neologismo que funde "instinto" e "sentir") a luz que vem do sobrenatural. É a intuição que substitui a visão.
"Me libertar do que me entretém"
O que "entretém" (distrai, prende a atenção) precisa ser deixado de lado. A visão prende ao superficial; o fechar dos olhos liberta para o essencial.
2.2. Farejar Deus (Versos 5-8)
"Preciso sentir pelo cheiro / Farejar onde Deus está"
Deus não é visto — é farejado. Como um animal que segue um rastro, o eu lírico usa o olfato espiritual para localizar o divino.
"Como fumaça ou perfume marcante / Inebriante ar"
Deus é como fumaça (que sobe, que se espalha) ou perfume (que marca, que inebria). É uma presença que se sente no ar, que entra pelos pulmões, que altera a consciência.
2.3. O Arqueiro Cego (Versos 9-12)
"De olhos vendados eu vou / Arquejar meu arco com as setas de minha aljava"
A imagem do arqueiro cego é poderosa: mesmo sem ver, ele arqueja (estica) o arco e dispara suas setas.
"disparar para além do infinito / Aquilo que tenho esperado escrito e dito"
As setas são suas palavras, seus poemas, suas profecias. Disparam para além do infinito — alcançam o que está além do alcance.
2.4. O Grito Quádruplo (Versos 13-16)
"Grito / Grito / Grito / Grito"
Quatro gritos. É a explosão contida, a voz que finalmente se liberta. Cada grito é uma camada de silêncio rompida.
2.5. A Percepção Ampliada (Versos 17-20)
"Nós olhares / Nós pensares / Nós audares / Perscrutares"
Aqui, o eu lírico convoca todas as formas de percepção:
· Olhares — visão
· Pensares — razão
· Audares — audição (neologismo)
· Perscrutares — investigação profunda
É a totalidade dos sentidos convocada para a busca.
2.6. Vestir-se de Preto (Versos 21-24)
"Envolver me ei em trevas / Vou me vestir de novo de preto / Agourando o breu, gato negro (natural)."
Vestir-se de preto é assumir a identidade negra, a noite, o mistério. "De novo" indica que essa vestimenta já foi usada antes — talvez na infância, talvez em outra encarnação.
Agourando o breu — "agourar" é pressentir, augurar, anunciar. O breu é a escuridão total, mas também a resina usada em arcos de violino (conexão com o arqueiro?). Agourar o breu é pressentir a escuridão que virá, ou anunciá-la.
Gato negro (natural) — o gato preto é símbolo de mistério, intuição, magia. Mas aqui é afirmado como "natural" — não é sobrenatural, não é assombração, é parte da natureza. A negritude é natural.
2.7. A Pergunta pela Culpa (Versos 25-28)
"Fui eu que fechei a janela / E me tornei irresponsável."
A pergunta pela culpa: fechar a janela (o olho, a percepção) foi um ato irresponsável? A dúvida permanece.
2.8. O Serviço pelo Cheiro (Versos 29-32)
"Mas eu fechei os olhos para não ver / Levantei as narinas para sentir / O suave cheiro do meu Deus / Para com ele, ao meu povo, servir."
A justificativa: fechou os olhos para sentir melhor, para seguir o cheiro de Deus, para servir ao povo.
"Servir / Servir / Servir"
O tríplice serviço ecoa a tríade de ELKE, a tríade divina. Servir é a resposta à experiência sensorial do divino.
2.9. O Menor na Casa do Pai (Versos 33-36)
"Sou o menor na casa de meu pai."
Humildade radical: ele é o menor, o último, o que serve.
"Sempre preparei a cama a sala a mesa / Lavei roupas plantei mudas amassei pão"
A lista do serviço cotidiano — gestos simples, concretos, de cuidado.
"Mas no meu coração sorvi tristeza."
O serviço não impediu a tristeza. Ela estava lá, sorvida (bebida, absorvida) no coração.
2.10. O Afastamento (Versos 37-40)
"Depois que me afastei da minha vida / Me afastei dos meus amigos e família"
O afastamento é duplo: da própria vida e dos outros. A solidão se instala.
"Enquanto servi fui bem quisto / Mas afastado tido por esquisito."
Quando servia, era querido. Quando se afastou, virou "esquisito". A incompreensão dos outros.
2.11. As Lembranças (Versos 41-44)
"Fui ferido pelas minhas lembranças / Minhas lembranças / Lembranças / Lembranças"
A repetição de "lembranças" três vezes ecoa a dor que não passa. As memórias ferem.
2.12. A Redescoberta do Pequeno Príncipe (Versos 45-48)
"Até que um dia eu redescobri / O pequeno príncipe que escrevi"
Quem é o pequeno príncipe que escrevi? Pode ser:
· Uma referência a Saint-Exupéry, mas "que escrevi" indica autoria
· Uma metáfora para a criança interior, o eu infantil que ele próprio "escreveu" (criou, imaginou)
· Um texto autobiográfico não mencionado na obra
"E a nobreza que eu trago / Desde a minha infância."
A redescoberta da nobreza inata, presente desde a infância — antes das quedas, antes dos vícios, antes das perdas.
2.13. A Afirmação da Identidade (Versos 49-52)
"Que eu saiba quem eu sou / Que se saiba quem eu sou. / Que não esqueçam quem eu sou / E que eu mostre novamente / A todos, / Quem eu sou."
A afirmação é quadrupla:
· Que ele saiba quem é
· Que os outros saibam quem ele é
· Que não esqueçam
· Que ele mostre novamente
A identidade precisa ser conhecida, lembrada, mostrada.
2.14. Os Nomes de Deus (Versos 53-64)
A invocação final em hebraico é uma litania de nomes divinos:
Nome Significado
YahWeh O Deus da aliança
Shama "Ouve" (ou "Shema" — ouve, Israel)
Nissi "Minha bandeira" (Yahweh Nissi)
Eloa Forma poética de Elohim
Elohim Deus, Juiz, Criador
Tsebaoth Dos Exércitos
Kadosh Santo
Adonai Senhor
Eloi Meu Deus (aramaico)
El elion Deus Altíssimo
Elioneai Meu Deus Altíssimo
Eliel Meu Deus é Deus
2.15. A União Final (Versos 65-66)
"Deus Jeová / Una Terras céus e céu!"
O poema termina com a união de todas as coisas: terras, céus, céu — toda a criação reunida em Deus.
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3. O PEQUENO PRÍNCIPE INTERIOR
A redescoberta do "pequeno príncipe que escrevi" é o momento de virada do poema:
Antes Depois
Ferido por lembranças Redescobre a nobreza
Afastado, esquisito Mostra quem é
Tristeza no coração Afirma a identidade
Servo menor Herdeiro da nobreza
A criança interior — o pequeno príncipe — guardava a nobreza original, aquela que existia antes de todas as quedas.
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4. OS NOMES DE DEUS COMO AFIRMAÇÃO FINAL
A lista de nomes hebraicos não é decoração — é invocação poderosa. Cada nome acessa um aspecto do divino:
Nome Aspecto
YahWeh Relacional, pessoal
Nissi Protetor, guerreiro
Elohim Criador, juiz
Tsebaoth Senhor da história
Kadosh Totalmente outro
Adonai Autoridade
Elion Transcendência
Invocar os nomes é trazer Deus para perto, é ativar suas potências, é selar a aliança.
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5. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES
5.1. Com a Mística
Místico Conceito Diálogo
São João da Cruz Noite escura Fechar os olhos para ver
Teresa de Ávila Moradas interiores Farejar Deus
Rumi O amado invisível Sentir pelo cheiro
Pseudo-Dionísio Teologia apofática Deus além dos nomes
5.2. Com a Filosofia
Filósofo Conceito Diálogo
Heidegger Ser-no-mundo O estar-no-mundo pelo sentir
Merleau-Ponty Fenomenologia da percepção Os sentidos como acesso ao real
Levinas O rosto do outro Servir ao povo
Nietzsche O além-do-homem A nobreza desde a infância
5.3. Com a Psicologia
Psicólogo Conceito Diálogo
Jung A criança interior O pequeno príncipe
Winnicott Verdadeiro self A nobreza original
Hillman A alma do mundo O gato negro
Frankl Sentido da vida Servir como missão
5.4. Com a Literatura Infantil
Escritor Obra Diálogo
Saint-Exupéry O Pequeno Príncipe A nobreza, a infância
Carlo Collodi Pinóquio O menino que quer ser
Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas O mundo pelos sentidos
Antoine de Saint-Exupéry O Pequeno Príncipe O essencial invisível aos olhos
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6. REDE INTERTEXTUAL INTERNA
Poema Conexão
#001 - Mundo Aspie A identidade desde a infância
#014 - Já Não Quero Ser Mais Eu A perda de si
#020 - Mão na Cabeça "Quem sou eu?"
#021 - Embalagens A identidade como invólucro
#024 - Levanta-Me Os nomes de Deus
#029 - Crise de Identidade A desintegração do self
#039 - Fechem-se os Olhos O título ecoa
#045 - O Sol A luz que conduz
#046 - Quem sabe... Ser? A questão do ser
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7. VIRTUDES DO POEMA
Virtude Descrição
Técnica Estrutura em ondas; repetições significativas; invocação onomástica
Mística A experiência sensorial do divino
Filosófica A questão da identidade e do ser
Psicológica A redescoberta da criança interior
Teológica Os nomes de Deus como poder
Humana O serviço, a humildade, a nobreza
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8. SÍNTESE CRÍTICA
"Fechem-se os Olhos" é o poema da percepção interior. Fechar os olhos não é se isolar — é abrir outros sentidos para farejar Deus, para sentir o divino no ar.
O arqueiro cego dispara suas setas para além do infinito — são as palavras, os poemas, as profecias que ele lança sem ver o alvo, confiando na intuição.
O grito quádruplo rompe o silêncio. A percepção se amplia: olhares, pensares, audares, perscrutares — todos os sentidos convocados.
Vestir-se "de novo de preto" é reassumir a identidade negra, a noite, o mistério. "Agourando o breu" é pressentir a escuridão que virá, anunciá-la. E o "gato negro (natural)" afirma que essa escuridão é natural, não sobrenatural — é parte da criação, parte de si.
A pergunta pela culpa ("fui eu que fechei a janela?") fica sem resposta. Mas a justificativa vem: fechou os olhos para sentir melhor, para servir.
E então a redescoberta: o pequeno príncipe que escreveu, a nobreza que traz desde a infância. A criança interior guardava a verdadeira identidade.
A afirmação final é quase um grito: que ele saiba, que os outros saibam, que não esqueçam, que ele mostre novamente quem é.
E a invocação dos nomes de Deus — YahWeh, Nissi, Elohim, Tsebaoth, Kadosh, Adonai, Eloi, El elion, Elioneai, Eliel — sela a identidade recém-descoberta com o próprio nome do divino.
"Deus Jeová / Una Terras céus e céu!"
Tudo se une: a terra e o céu, o humano e o divino, o pequeno príncipe e o Deus dos exércitos, o gato negro e a luz sobrenatural.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BÍBLIA. Salmos. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.
BUBER, Martin. Eu e Tu. São Paulo: Centauro, 2001.
FRANKL, Viktor. Em Busca de Sentido. Petrópolis: Vozes, 2008.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012.
JUNG, Carl. Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Petrópolis: Vozes, 2000.
MERLEAU-PONTY, Maurice. Fenomenologia da Percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999.
SAINT-EXUPÉRY, Antoine. O Pequeno Príncipe. Rio de Janeiro: Agir, 2009.
SÃO JOÃO DA CRUZ. Noite Escura da Alma. Petrópolis: Vozes, 2002.
LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]
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CRÉDITOS AUTORAIS
Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
LÉLLIS, PHS.
Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)
Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.
Contatos:
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📍 Vila Velha/ES - Brasil
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Nota: Esta é a trigésima oitava análise da série. O poema #048 é a redescoberta da identidade através do fechar dos olhos para melhor sentir. O pequeno príncipe interior, a nobreza desde a infância, o vestir-se de novo de preto agourando o breu — o gato negro natural — e os nomes de Deus, tudo converge para a afirmação final de quem ele é.
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