ANÁLISE POEMA #047 - "COMO PEDRA - UBU/ES" (27/11/2025)

 ANÁLISE POEMA #047 - "COMO PEDRA - UBU/ES" (27/11/2025)


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FICHA TÉCNICA DO POEMA


Elemento Descrição

Título Como Pedra - Ubu/ES

Data 27/11/2025

Posição #047 (de 55)

Contexto Novembro de 2025, aproximando-se do clímax da obra

Local Ubu, Litoral sul do Espírito Santo

Versos 40

Tom Contemplativo, teológico, autorreferencial, profético

Estrutura 10 estrofes de 4 versos (quartetos)


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TEXTO COMPLETO DO POEMA


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Como Pedra - Ubu/ES


Vejo o mar e suas ondas

Que estouram E ja nao mais

E os surfistas persistentes

Pelo que so vira espuma.


Vejo o mar que e tao gigante

Que perfaz continentes e oceanos

E quando menos esperamos

Nos perguntamos o que bastamos


Enquanto o mar e levado pelo vento

Do seu movimento surgem correntezas

Sustenta milhoes de seres e especies

Que da humana lhe servem a mesa


Dos oceanos vem a chuva

Agua que rega entretece e amolece os coracoes

Em suas paixoes e necessidades

A agua promove vida por toda parte.


Da chuva nasceram os rios

De cujos pios os passaros estao a cantar

Tanto nos mares quanto enseadas

Vejo barcos e navios a navegar.


Mas eu ao contrário sou um rocha

Estou parado sempre no mesmo ponto

Vejo muitas coisas a.acontecer

Que em muitas historias relato e conto


Muitos falam mal da pedra

Que ta destruindo muitas vidas

Que a derretem e fazem fumaca

Em martonas suicidas


Nao conhewram a Pedra de Esquina

A Rocha que os construtores rejeitaram

Nem a Rocha de Cesareia

Na qual Jesus desafiou os principados


Eu que sou pedro tambem sou pedra

ao impacto de muitas ondas sobrevivi

Deus entrou em acao pra me salvat

De uma forma que ate eu mesmo percebi


Me deram as chaves do Reino

Devo clamar e anunciar a todas as nacoes.

Se eu nao fizer isso doutro modo

Ate as pedras clamarão.


E se nao houver pedra que clame

Ate de outras pedras podera Deus

Suscitar descendências a a Abraao.


Parati

Ubu, Litoral sul, ES

27/11/2025

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ANÁLISE CRÍTICA


1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS


1.1. O Título e a Identidade


"Como Pedra - Ubu/ES" — o título estabelece a identificação fundamental: "como pedra" remete a Pedro (seu nome), à solidez, à resistência. Ubu é o lugar — um distrito de Anchieta, litoral sul do Espírito Santo, praia de rochas e mar forte.


Virtude técnica: O título já anuncia o tema da transformação: de barco à deriva para pedra firme.


1.2. A Estrutura em Duas Partes


O poema se divide claramente em duas seções:


Primeira parte (versos 1-20): O mar em movimento


1. As ondas que estouram e viram espuma

2. O mar gigante que perfaz continentes

3. As correntezas que sustentam a vida

4. A chuva que amolece os corações

5. Os rios, os pássaros, os barcos


Segunda parte (versos 21-40): A pedra que permanece


1. "Mas eu ao contrário sou uma rocha"

2. A pedra que muitos falam mal

3. A Pedra de Esquina, a Rocha rejeitada

4. Pedro/pedra que sobreviveu ao impacto

5. As chaves do Reino e o clamor das pedras


1.3. A Repetição do Mar


A primeira parte é uma litania do mar — suas ondas, seu tamanho, suas correntes, sua chuva, seus rios. Tudo flui, tudo se move, tudo se transforma.


A segunda parte é a afirmação da pedra — imóvel, resistente, permanente.


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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS


2.1. O Mar e suas Ondas (Versos 1-4)


"Vejo o mar e suas ondas / Que estouram E ja nao mais"


O poema abre com a mesma imagem de #022 e #038: as ondas que estouram e já não são mais. A efemeridade do movimento, a fugacidade de cada onda.


"E os surfistas persistentes / Pelo que so vira espuma."


Os surfistas persistem em pegar as ondas, mas no fim tudo vira espuma. A persistência humana diante da transitoriedade.


2.2. A Grandeza do Mar (Versos 5-8)


"Vejo o mar que e tao gigante / Que perfaz continentes e oceanos"


O mar é a totalidade — perfaz (percorre e faz) continentes e oceanos. É a imagem do infinito, do que não pode ser contido.


"E quando menos esperamos / Nos perguntamos o que bastamos"


Diante da imensidão do mar, a pergunta pela própria suficiência: o que bastamos? Somos suficientes? O bastante para quê?


2.3. A Vida que o Mar Sustenta (Versos 9-12)


"Enquanto o mar e levado pelo vento / Do seu movimento surgem correntezas / Sustenta milhoes de seres e especies / Que da humana lhe servem a mesa"


O mar sustenta milhões de seres — e esses seres servem à mesa humana. A cadeia da vida, a dependência de todos em relação ao oceano.


2.4. A Chuva que Amolece os Corações (Versos 13-16)


"Dos oceanos vem a chuva / Agua que rega entretece e amolece os coracoes"


A água da chuva, vinda do mar, tem o poder de amolecer os corações. Imagem poderosa: a dureza humana pode ser dissolvida pela água que vem do céu.


"Em suas paixoes e necessidades / A agua promove vida por toda parte."


A água é fonte de vida — física e espiritual.


2.5. Os Rios e os Barcos (Versos 17-20)


"Da chuva nasceram os rios / De cujos pios os passaros estao a cantar"


A cadeia completa: mar → chuva → rios → pássaros que cantam. Tudo está conectado.


"Tanto nos mares quanto enseadas / Vejo barcos e navios a navegar."


Os barcos navegam — o movimento contínuo da vida, da história, da humanidade.


2.6. A Virada: Eu Sou Rocha (Versos 21-24)


"Mas eu ao contrário sou um rocha / Estou parado sempre no mesmo ponto"


A conjunção "mas" marca a virada. Enquanto tudo se move (mar, ondas, barcos, rios), ele é rocha — parado, imóvel, no mesmo ponto.


"Vejo muitas coisas a.acontecer / Que em muitas historias relato e conto"


A pedra vê a história passar — e a testemunha, relatando em suas histórias.


2.7. A Pedra e o Vício (Versos 25-28)


"Muitos falam mal da pedra / Que ta destruindo muitas vidas"


A pedra aqui é também a pedra do crack — a droga que destrói vidas. "Falam mal da pedra" no duplo sentido: criticam a rocha, mas também condenam a droga.


"Que a derretem e fazem fumaca / Em martonas suicidas"


"Martonas" (talvez "maratonas") suicidas — a corrida para a morte através do vício. A pedra que deveria ser firmeza se torna destruição.


2.8. A Pedra de Esquina (Versos 29-32)


"Nao conhewram a Pedra de Esquina / A Rocha que os construtores rejeitaram"


Referência bíblica direta (Salmo 118,22; Mateus 21,42): a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular. Jesus aplica essa imagem a si mesmo.


"Nem a Rocha de Cesareia / Na qual Jesus desafiou os principados"


Cesareia de Filipe foi onde Jesus perguntou "Quem dizem que eu sou?" e Pedro confessou "Tu és o Cristo". Sobre essa "rocha" (a confissão de Pedro) Jesus disse que edificaria sua igreja (Mateus 16,18).


2.9. Pedro/Pedra (Versos 33-36)


"Eu que sou pedro tambem sou pedra / ao impacto de muitas ondas sobrevivi"


A identificação final: Pedro/pedra. O nome é destino. Ele é Pedro, é pedra, e sobreviveu ao impacto de muitas ondas — as ondas da vida, da dor, do vício, da ausência.


"Deus entrou em acao pra me salvat / De uma forma que ate eu mesmo percebi"


A salvação divina é tão evidente que ele mesmo percebeu. Não é teoria — é experiência.


2.10. As Chaves do Reino (Versos 37-40)


"Me deram as chaves do Reino / Devo clamar e anunciar a todas as nacoes."


Referência a Mateus 16,19: "Dar-te-ei as chaves do Reino dos Céus". Pedro recebe as chaves — autoridade, missão, responsabilidade.


"Se eu nao fizer isso doutro modo / Ate as pedras clamarão."


Referência a Lucas 19,40: "Se estes se calarem, as próprias pedras clamarão". A missão é urgente: se ele não anunciar, as pedras (outras pedras, outros Pedros) clamarão.


2.11. A Descendência de Abraão (Versos 41-43)


"E se nao houver pedra que clame / Ate de outras pedras podera Deus / Suscitar descendências a a Abraao."


Deus pode suscitar descendência a Abraão até de pedras (Mateus 3,9). Se não houver quem anuncie, Deus levantará outros.


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3. O DUPLO SENTIDO DA PEDRA


O poema explora múltiplos significados da pedra:


Sentido Referência

Rocha natural A pedra de Ubu, imóvel no mar

Pedro (nome) A identidade do eu lírico

Pedra de crack O vício que destrói

Pedra de esquina A rejeitada que se torna fundamental

Rocha de Cesareia A confissão de fé

Pedras que clamam A criação que anuncia

Pedras como filhos de Abraão A nova descendência


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4. UBU COMO LUGAR TEOLÓGICO


Ubu — distrito de Anchieta, litoral sul do ES — torna-se um lugar sagrado na geografia poética de Pedrim:


Lugar Poema Significado

Coqueiral de Itaparica #024 Oração e clamor

Interlagos #013, #044 Cura e missão

Ubu #038, #047 A pedra e o mar


Em Ubu, a pedra encontra o mar. A imobilidade encontra o movimento. A resistência encontra a perseverança.


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5. A PASSAGEM DO BARCO À PEDRA


A obra de Pedrim registra uma evolução:


Poema Imagem Estado

#009 Barco à deriva Sem rumo

#018 Barco à deriva Ausência

#034 Barco à deriva Espera

#037 Barco à deriva Desespero

#047 Pedra firme Resistência


O barco se torna pedra. A deriva encontra a âncora. O movimento encontra a permanência.


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6. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES


6.1. Com a Teologia


Teólogo Conceito Diálogo

Mateus Pedro, a rocha "Sobre esta pedra"

Salmo 118 Pedra rejeitada "A pedra que os construtores rejeitaram"

Lucas 19 Pedras que clamam "Até as pedras clamarão"

Mateus 3 Pedras e filhos de Abraão "De pedras pode Deus suscitar filhos"


6.2. Com a Filosofia


Filósofo Conceito Diálogo

Heidegger Ser-no-mundo A pedra que permanece

Bachelard Poética da terra A pedra como resistência

Nietzsche Eterno retorno As ondas que voltam

Camus O mito de Sísifo A persistência


6.3. Com a Literatura


Escritor Obra Diálogo

João Cabral "A Educação pela Pedra" A pedra que ensina

Drummond "No Meio do Caminho" A pedra como obstáculo

Sophia de Mello Breyner "Mar" O mar como elemento

Adélia Prado "Com Licença Poética" O cotidiano sagrado


6.4. Com a Geologia


Conceito Significado Diálogo

Rocha ígnea Formada pelo fogo Resistência

Erosão Ação do mar Ondas que desgastam

Falésia Rocha à beira-mar Ubu

Sedimentação Acúmulo no tempo História


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7. REDE INTERTEXTUAL INTERNA


Poema Conexão

#009 - Pelo Mar Sem Fim O barco, o mar

#016 - Sem Medo - Com Matheus A âncora

#018 - Abismo Sem Fim A queda

#022 - Só me Resta Respirar As mesmas ondas

#025 - Santo Veneno A pedra do vício

#034 - Preciso A espera

#038 - Como Pedra (título) O mesmo lugar

#045 - O Sol A resistência


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8. VIRTUDES DO POEMA


Virtude Descrição

Técnica Estrutura bipartida; transição do movimento à permanência; polissemia da pedra

Teológica Identificação com Pedro; as chaves do Reino; a pedra rejeitada

Geográfica Ubu como lugar sagrado

Humana A sobrevivência ao impacto das ondas

Social A pedra do crack como destruição

Profética "Até as pedras clamarão"


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9. SÍNTESE CRÍTICA


"Como Pedra - Ubu/ES" é o poema da identidade finalmente assumida. Depois de tantas derivas, tantas quedas, tantas esperas, o eu lírico se descobre pedra — e pedra que sobreviveu.


A primeira parte é uma celebração do mar em movimento: ondas que estouram, surfistas persistentes, correntezas que sustentam vida, chuva que amolece corações, rios que alimentam pássaros, barcos que navegam. Tudo flui, tudo passa, tudo se transforma.


Mas o eu lírico é o contrário: rocha. Parado no mesmo ponto, vendo a história passar, testemunhando e contando.


A pedra tem múltiplos significados. É também a pedra do crack — a droga que destrói vidas, que muitos "falam mal". É a destruição que ele conhece, que viveu, da qual sobreviveu.


Mas há outra pedra: a Pedra de Esquina, a Rocha rejeitada que se torna fundamental. A Rocha de Cesareia, onde Pedro confessou a Cristo. A pedra que é Pedro, que é ele mesmo.


"Eu que sou pedro tambem sou pedra / ao impacto de muitas ondas sobrevivi."


Sobreviveu. Essa é a palavra. Não apenas resistiu — sobreviveu. As ondas vieram, muitas, fortes, constantes. Mas ele ainda está lá, como a rocha de Ubu, firme no mesmo ponto.


Deus o salvou de uma forma que ele mesmo percebeu. A salvação não é teoria — é experiência.


E agora tem as chaves do Reino. A missão: clamar e anunciar. Se não o fizer, as pedras clamarão. Se não houver pedra que clame, Deus suscitará descendência a Abraão até das pedras.


O poema #047 é, assim, a afirmação da identidade e da missão. O barco virou pedra. A deriva virou permanência. O sobrevivente virou profeta.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


BACHELARD, Gaston. A Terra e os Devaneios da Vontade. São Paulo: Martins Fontes, 2001.


BÍBLIA. Mateus. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


BÍBLIA. Salmos. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


BÍBLIA. Lucas. In: Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus, 2002.


CABRAL DE MELO NETO, João. A Educação pela Pedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1996.


CAMUS, Albert. O Mito de Sísifo. Rio de Janeiro: Record, 2004.


HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012.


LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]


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CRÉDITOS AUTORAIS


Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

LÉLLIS, PHS.


Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)

Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.


Contatos:

📧 pedrimpescador@gmail.com

📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078

🌐 https://pedrimpescador.blogspot.com

📍 Vila Velha/ES - Brasil


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Nota: Esta é a trigésima sétima análise da série. O poema #047 é o ponto de chegada da jornada de identidade: o barco à deriva finalmente se reconhece como pedra. A sobrevivência ao impacto das ondas, a identificação com Pedro, as chaves do Reino — tudo converge para a afirmação de que ele é pedra, e pedra que clama.

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