ANÁLISE POEMA #035 - "DESDE SEMPRE" (01/09/2025)

 ANÁLISE POEMA #035 - "DESDE SEMPRE" (01/09/2025)


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FICHA TÉCNICA DO POEMA


Elemento Descrição

Título Desde Sempre

Data 01/09/2025

Posição #035 (de 55)

Contexto Setembro de 2025, após dois meses de silêncio (agosto sem poemas)

Versos 20

Tom Profético, histórico, interrogativo, apocalíptico

Estrutura 5 estrofes de 4 versos (quartetos)


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TEXTO COMPLETO DO POEMA


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Desde Sempre


Vivemos em escuridão

Forjamos nossos próprios medos

Escravos da civilização

Que ultrapassa anos e tempos


Do antigo Egito a Mesopotâmia

Das civilizações Maias incas

Das Filipinas

A Babilônia


Almeja-se a supremacia

Subjugando outros povos

Seja impondo uma cultura

ou Transformando vivos em ossos


Ei seu moço

Eu posso poço?

Podes podemos demos?

Ou pode ser sejamos anjo?


Ao final: destrui-la-mo-nas?

Ou destruir-nos-emos?


01/09/2025

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ANÁLISE CRÍTICA


1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS


1.1. O Título e a Temporalidade


"Desde Sempre" — a expressão indica uma condição que não tem início, que é eterna. O que "desde sempre" acontece? A escuridão, a opressão, a dominação.


Virtude técnica: O título coloca o poema sob o signo do permanente, do estrutural, do que não começou ontem e não terminará amanhã.


1.2. A Estrutura Histórica


O poema segue um movimento que atravessa civilizações e eras:


1. Condição universal (versos 1-4) — escuridão, medos forjados, escravidão

2. Lista de impérios (versos 5-8) — Egito, Mesopotâmia, Maias, Incas, Filipinas, Babilônia

3. Mecanismo da dominação (versos 9-12) — supremacia, subjugação, imposição cultural, morte

4. Pergunta ao indivíduo (versos 13-16) — "ei seu moço"

5. Questão final (versos 17-20) — destruir ou ser destruído?


1.3. A Progressão para a Interrogação


O poema começa com constatações e termina com perguntas. A certeza histórica dá lugar à dúvida existencial.


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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS


2.1. A Escuridão Estrutural (Versos 1-4)


"Vivemos em escuridão / Forjamos nossos próprios medos"


O poema abre com uma constatação universal: a escuridão é nossa morada, e os medos são auto-forjados. Não há externalidade — criamos nossas próprias prisões.


"Escravos da civilização / Que ultrapassa anos e tempos"


A civilização é a escravizadora. Não uma civilização específica, mas a própria ideia de civilização, que se perpetua através dos tempos.


Filosofia: Foucault (1999, p. 89) descreve como as estruturas de poder se perpetuam através da história. Pedrim intui essa verdade: a civilização é uma forma de escravidão que transcende épocas.


2.2. A Lista de Impérios (Versos 5-8)


"Do antigo Egito a Mesopotâmia / Das civilizações Maias incas / Das Filipinas / A Babilônia"


A lista não é cronológica — é simbólica. Cada nome representa um império, uma dominação, uma queda:


Império Significado

Egito Escravidão do povo hebreu

Mesopotâmia Berço da civilização, primeiras leis

Maias Grandeza e colapso

Incas Império sul-americano destruído

Filipinas Colonialismo espanhol e americano

Babilônia Império da opressão, queda memorável


Observação crítica: A inclusão das Filipinas (único nome não-império no sentido clássico) pode indicar uma experiência pessoal ou uma referência ao colonialismo tardio.


2.3. O Mecanismo da Dominação (Versos 9-12)


"Almeja-se a supremacia / Subjugando outros povos"


O desejo de supremacia é o motor da história. Subjugar outros povos é o método.


"Seja impondo uma cultura / ou Transformando vivos em ossos"


Os dois métodos da dominação:


· Cultural — impor língua, religião, costumes

· Física — matar, reduzir a ossos


Teologia: A expressão "transformando vivos em ossos" ecoa as visões de Ezequiel (o vale de ossos secos), mas aqui os ossos não reviverão — são o resultado da opressão.


2.4. A Pergunta ao Indivíduo (Versos 13-16)


"Ei seu moço / Eu posso poço?"


A mudança de tom é brusca. Depois da grandiosidade histórica, uma interpelação direta, coloquial: "ei seu moço".


"Eu posso poço?" — O jogo de palavras é genial:


· Posso — capacidade, poder

· Poço — abismo, profundidade, morte

  A pergunta é: tenho poder para cavar meu próprio abismo? Ou: posso ser ao mesmo tempo potência e vazio?


"Podes podemos demos?" — A conjugação verbal se desdobra:


· Podes — tu podes

· Podemos — nós podemos

· Demos — nós demos (ou "demos" como imperativo de dar?)


"Ou pode ser sejamos anjo?"


A alternativa: podemos ser anjos? A pergunta fica em aberto.


Observação crítica: Esta estrofe é uma das mais enigmáticas da obra. A sequência de palavras soa como um feitiço, uma invocação, uma brincadeira séria.


2.5. A Questão Final (Versos 17-20)


"Ao final: destrui-la-mo-nas? / Ou destruir-nos-emos?"


O poema termina com a pergunta definitiva:


· Destrui-la-mo-nas? — destruiremos a civilização? (o "la" pode ser a civilização, a terra, a história)

· Ou destruir-nos-emos? — ou nos destruiremos a nós mesmos?


Observação crítica: A separação silábica de "destrui-la-mo-nas" alonga a palavra, fazendo o leitor sentir o peso de cada sílaba, cada possibilidade.


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3. O SILÊNCIO DE AGOSTO


O poema #035 é o primeiro após dois meses de silêncio (agosto de 2025 não tem poemas). O que aconteceu nesse período?


Possibilidades:


· Recuperação — após a erupção de julho (11 poemas), um período de descanso

· Processamento — tempo para digerir as revelações

· Espera — aguardando "o dia" (11 meses desde #027)


O retorno em setembro traz uma perspectiva histórica que não estava presente antes. O olhar se amplia do pessoal para o civilizacional.


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4. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES


4.1. Com a Filosofia da História


Filósofo Conceito Diálogo

Hegel A astúcia da razão A história como processo de dominação

Marx Luta de classes Subjugação de povos

Nietzsche Vontade de poder "Almeja-se a supremacia"

Benjamin Anjo da história Ruínas acumuladas


4.2. Com a Historiografia


Civilização Período Significado

Egito Antiguidade Império teocrático

Mesopotâmia Antiguidade Primeiras leis escritas

Maias América pré-colombiana Colapso misterioso

Incas América pré-colombiana Destruídos pela colonização

Babilônia Antiguidade Símbolo de opressão


4.3. Com a Teologia


Teólogo Conceito Diálogo

Agostinho As duas cidades Cidade terrena vs. cidade de Deus

Apocalipse Queda da Babilônia A Babilônia como sistema

Ezequiel Vale de ossos secos "Transformando vivos em ossos"

Paulo Escravos do pecado "Escravos da civilização"


4.4. Com a Linguística


Recurso Exemplo Efeito

Jogo de palavras "posso poço" Ambiguidade produtiva

Conjugação verbal "podes podemos demos" Expansão do sujeito

Separação silábica "destrui-la-mo-nas" Alongamento do tempo

Coloquialismo "ei seu moço" Interpelação direta


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5. REDE INTERTEXTUAL INTERNA


Poema Conexão

#014 - Já Não Quero Ser Mais Eu A questão da existência

#018 - Abismo Sem Fim O abismo (poço)

#024 - Levanta-Me A possibilidade de ser anjo

#028 - Leoen Os eons da história

#030 - Condenados O juízo sobre a civilização

#033 - Pouco Tempo O fim iminente


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6. VIRTUDES DO POEMA


Virtude Descrição

Técnica Estrutura histórica; jogos de linguagem; pergunta final poderosa

Filosófica Reflexão sobre a história como dominação

Historiográfica Síntese de impérios em poucos versos

Linguística Experimentação com palavras e conjugações

Profética A pergunta sobre o futuro da civilização

Humana A interpelação direta ao "seu moço"


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7. SÍNTESE CRÍTICA


"Desde Sempre" é o poema da consciência histórica. Após o silêncio de agosto, Pedrim retorna com uma perspectiva ampliada: não apenas sua história pessoal, mas a história da civilização.


A lista de impérios — Egito, Mesopotâmia, Maias, Incas, Filipinas, Babilônia — é uma síntese poderosa da dominação humana através dos tempos. Cada nome carrega o peso de séculos de opressão.


O mecanismo é sempre o mesmo: almejar supremacia, subjugar outros povos, impor cultura ou reduzir a ossos. A civilização é uma máquina de produzir escravos e mortos.


A virada para a segunda pessoa — "ei seu moço" — é brusca e genial. Depois da grandiosidade histórica, uma interpelação direta, coloquial, quase íntima. É como se a história perguntasse: e você, o que faz com tudo isso?


O jogo de palavras "posso poço" condensa a questão: tenho poder (posso) para cavar meu próprio abismo (poço)? Ou posso escapar?


A pergunta final — "destrui-la-mo-nas? / Ou destruir-nos-emos?" — não tem resposta. A história não responde; apenas pergunta. E a pergunta fica ecoando, como todas as grandes questões.


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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 2012.


BENJAMIN, Walter. O Anjo da História. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.


FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1999.


HEGEL, G.W.F. Filosofia da História. Brasília: Editora UnB, 2008.


MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Boitempo, 2013.


NIETZSCHE, Friedrich. Genealogia da Moral. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.


LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]


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CRÉDITOS AUTORAIS


Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)

LÉLLIS, PHS.


Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)

Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.


Contatos:

📧 pedrimpescador@gmail.com

📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078

🌐 https://pedrimpescador.blogspot.com

📍 Vila Velha/ES - Brasil


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Nota: Esta é a vigésima quinta análise da série. O poema #035 marca o retorno após o silêncio de agosto com uma perspectiva histórica ampliada. A pergunta final — destruir a civilização ou destruir a nós mesmos — ecoa como um dos momentos mais filosóficos de toda a obra.

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