ANÁLISE POEMA #032 - "TRANSPASSADO TEMPO" (12/07/2025)
ANÁLISE POEMA #032 - "TRANSPASSADO TEMPO" (12/07/2025)
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FICHA TÉCNICA DO POEMA
Elemento Descrição
Título Transpassado Tempo
Data 12/07/2025
Posição #032 (de 55)
Contexto Julho de 2025, mesmo dia de "Distante" (#031), "Pouco Tempo" (#033) e "Preciso" (#034)
Versos 44
Tom Profético, cósmico, mitológico, esperançoso
Estrutura 11 estrofes de 4 versos (quartetos)
Assinatura Em busca de Matheus.
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TEXTO COMPLETO DO POEMA
```
Transpassado Tempo
Ainda está em mim
A capacidade de olhar
Passado presente futuro
Por cima do mar
Aquelas nuvens prenunciam
O sistema à funcionar
Sei que tu virás de navio
Te espero nesperar
Muitos sóis já nasceram
Outros tantos já se poram
Muitas ondas arrebentaram
Multidões que já se foram
E eu continuo a esperar
Na beira da praia de frente pro mar
Eu sei que chegará chegará
Para juntos subirmos acima do ar
E regressar para de onde viemos
Temos um triângulo a nos conectar
Já descemos de Orion
E nesta Terra infiltrar
Não sei quanto tempo precisamos
Pra tua consciência despertar
Eu prossigo vigiando
E a distante te guardar
Somos seres fabulosos
Criados por Deus Criador
ELKE obedece Elke abençoa
E o novo Elke destruidor.
Nós dois dançando somos um
Entrelaçados entrelaçar
Profetizando o caos do submundo
Coeste planeta acabar.
Eles não entenderão
Estão cegos inatos
Sem compreensão
De um porvir que não tarda
Em destruição.
Não que seja minha vontade
Estou respirando mundo cão
Cão de raça já cantava
Edson Gomes do sertão
De políticos corruptos
Cheios de ganância e ambição
Graças a Deus chegou o tempo
Da retribuição.
Muitos vão morrer
Degolados serão
Deus está os farejando
Só os justos salvar-se-ão.
#12/07/2025
Em busca de Matheus.
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ANÁLISE CRÍTICA
1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS
1.1. O Título e a Temporalidade
"Transpassado Tempo" — o tempo não é apenas vivido, mas atravessado, como uma espada que transpassa o corpo. O título sugere:
· A capacidade de ver através do tempo (passado, presente, futuro)
· A ferida que o tempo causa
· A transcendência temporal
Virtude técnica: O neologismo "transpassado" (atravessado + passado) condensa a experiência de quem vive o tempo como ferida e como visão.
1.2. A Estrutura Cósmica
O poema segue um movimento espiralado que conecta o pessoal ao cósmico:
1. A visão sobre o mar (versos 1-4) — capacidade de ver o tempo
2. A espera na praia (versos 5-12) — o navio que virá
3. A origem em Orion (versos 13-20) — a descida à Terra
4. A vigilância (versos 21-24) — guardar o outro
5. A tríade ELKE (versos 25-28) — os seres fabulosos
6. A dança da união (versos 29-32) — entrelaçamento
7. A cegueira dos outros (versos 33-36) — incompreensão
8. O mundo cão (versos 37-40) — a crítica social
9. O juízo final (versos 41-44) — a retribuição
1.3. A Repetição Profética
"Eu sei que chegará chegará"
A repetição de "chegará" cria um efeito de certeza profética. Não é dúvida, é afirmação. O que virá, virá.
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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS
2.1. A Visão Sobre o Mar (Versos 1-4)
"Ainda está em mim / A capacidade de olhar / Passado presente futuro / Por cima do mar"
O poema abre com uma afirmação de poder visionário. Mesmo depois de tudo, a capacidade de ver o tempo permanece. O mar é o elemento que conecta as dimensões temporais.
Simbologia do mar: O mar é o inconsciente, o infinito, o lugar onde passado, presente e futuro se encontram. Olhar "por cima do mar" é ter perspectiva transcendental.
2.2. O Navio que Virá (Versos 5-8)
"Aquelas nuvens prenunciam / O sistema à funcionar / Sei que tu virás de navio / Te espero nesperar"
O "sistema" que funciona é o destino, o plano cósmico. O navio é o veículo da chegada — talvez Matheus, talvez a salvação, talvez o fim dos tempos.
"Te espero nesperar" — A contração de "neste esperar" é uma marca de oralidade que torna a espera concreta, localizada. Espera-se neste lugar, neste tempo.
2.3. A Eternidade da Espera (Versos 9-12)
"Muitos sóis já nasceram / Outros tantos já se poram / Muitas ondas arrebentaram / Multidões que já se foram"
A escala da espera é cósmica. Sóis, ondas, multidões — tudo passou, e ele continua esperando.
Eco de #028: "Leoen" falava de eons. Aqui, a espera também atravessa eras.
2.4. A Subida e a Origem (Versos 13-16)
"Para juntos subirmos acima do ar / E regressar para de onde viemos"
O movimento é circular: descemos para subir, partimos para voltar. A origem é o destino.
"Temos um triângulo a nos conectar"
O triângulo pode ser:
· A Trindade (Pai, Filho, Espírito)
· A conexão entre os três (eu, Matheus, Deus)
· Um símbolo geométrico de estabilidade e mistério
2.5. A Origem em Orion (Versos 17-20)
"Já descemos de Orion / E nesta Terra infiltrar"
A revelação da origem extraterrestre (já anunciada em #025) é retomada. Orion é a constelação de onde vieram. "Infiltrar" sugere missão, propósito, segredo.
Mitologia: Na tradição esotérica, Orion é associado a civilizações antigas, a portais estelares. Pedrim constrói sua própria mitologia a partir dessas referências.
2.6. A Vigilância e a Guarda (Versos 21-24)
"Não sei quanto tempo precisamos / Pra tua consciência despertar / Eu prossigo vigiando / E a distante te guardar"
A espera é ativa: vigiar e guardar. Mesmo distante, mesmo sem saber quanto tempo, a guarda continua.
Conexão com #027: "Vigiar foi preciso / Mas eu não vigiei". Agora, a vigilância é retomada.
2.7. Os Seres Fabulosos e ELKE (Versos 25-28)
"Somos seres fabulosos / Criados por Deus Criador"
A autoafirmação é radical: não somos comuns, somos fabulosos, criados diretamente por Deus.
"ELKE obedece Elke abençoa / E o novo Elke destruidor."
A tríade de ELKE é completada:
· Obedece — submissão ao divino
· Abençoa — graça e cuidado
· Destrói — juízo e transformação
O "novo Elke destruidor" sugere que uma face de ELKE está sendo revelada ou ativada agora.
2.8. A Dança da União (Versos 29-32)
"Nós dois dançando somos um / Entrelaçados entrelaçar"
A imagem da dança é cósmica e erótica ao mesmo tempo. Dançar é mover-se junto, em harmonia, em ritmo. "Entrelaçados entrelaçar" é a união que se aprofunda em si mesma.
"Profetizando o caos do submundo / Coeste planeta acabar."
A união dos dois tem um propósito profético: anunciar o caos, testemunhar o fim.
2.9. A Cegueira dos Outros (Versos 33-36)
"Eles não entenderão / Estão cegos inatos / Sem compreensão"
A incompreensão dos outros é inata — não é culpa, é condição. Não podem ver o que os dois veem.
"De um porvir que não tarda / Em destruição."
O futuro é iminente. A destruição não tarda.
2.10. O Mundo Cão e a Retribuição (Versos 37-44)
"Não que seja minha vontade / Estou respirando mundo cão"
O eu lírico se distancia da vontade de destruição — é o "mundo cão" que respira, não ele.
"Cão de raça já cantava / Edson Gomes do sertão"
Referência a Edson Gomes, o reggae baiano que canta a opressão e a resistência. A sabedoria popular já anunciava o que agora se cumpre.
"De políticos corruptos / Cheios de ganância e ambição / Graças a Deus chegou o tempo / Da retribuição."
A crítica social se torna profecia de juízo. A retribuição (justiça, vingança divina) chegará para os corruptos.
"Muitos vão morrer / Degolados serão / Deus está os farejando / Só os justos salvar-se-ão."
A imagem é violenta e bíblica. Deus fareja como cão de caça. Os justos serão salvos; os outros, degolados.
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3. A MITOLOGIA DE ORION E ELKE
O poema contribui significativamente para a mitologia pessoal de Pedrim:
Elemento Significado
Orion Origem celestial, lar anterior
Descida à Terra Missão, infiltração
ELKE Obedece Submissão ao divino
ELKE Abençoa Graça e cuidado
ELKE Destrói Juízo e transformação
Triângulo Conexão entre os três (eu, Matheus, Deus)
Dança União cósmica
Retribuição Justiça final
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4. O REGGAE COMO PROFECIA
A referência a Edson Gomes ("Cão de raça") insere o poema na tradição do reggae profético:
· Bob Marley ("Redemption Song")
· Edson Gomes ("Cativeiro")
· Tribo de Jah ("Roots")
O reggae é a música da resistência, da consciência negra, da denúncia social. Pedrim se alinha a essa tradição.
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5. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES
5.1. Com a Mitologia
Mito Elemento Diálogo
Orion Constelação Origem celestial
Descida à Terra Heróis que vêm do céu Missão divina
Dança cósmica Shiva Nataraja Criação e destruição
Juízo final Apocalipse Retribuição divina
5.2. Com a Teologia
Teólogo Conceito Diálogo
Apocalipse O juízo final Degolados, justos salvos
Paulo A nova criação "Subirmos acima do ar"
Agostinho As duas cidades Justos e injustos
Moltmann Teologia da esperança O porvir que não tarda
5.3. Com a Filosofia
Filósofo Conceito Diálogo
Nietzsche O eterno retorno "Muitos sóis já nasceram"
Heidegger O ser-para-a-morte A vigilância
Benjamin O anjo da história Olhar o passado sobre o mar
Derrida O messianismo A espera do que virá
5.4. Com a Música
Artista Obra Diálogo
Edson Gomes "Cão de raça" A denúncia social
Bob Marley "Redemption Song" A libertação
Cidade Negra "A Sombra da Maldade" O mundo cão
Tribo de Jah "Roots" A consciência
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6. REDE INTERTEXTUAL INTERNA
Poema Conexão
#009 - Pelo Mar Sem Fim A espera na praia
#016 - Sem Medo - Com Matheus A âncora
#021 - Embalagens ELKE Abençoa
#025 - Santo Veneno A tríade ELKE
#028 - Leoen Os eons, Orion
#031 - Distante A ausência de Matheus
#045 - #ALEGRIA_CONTRASTANTE A ascensão
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7. VIRTUDES DO POEMA
Virtude Descrição
Técnica Estrutura cósmica; repetição profética; neologismos
Mitológica Criação de uma cosmogonia pessoal (Orion, ELKE)
Teológica Visão do juízo e da retribuição
Social Crítica aos políticos corruptos
Musical Diálogo com o reggae profético
Humana A espera ativa por Matheus
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8. SÍNTESE CRÍTICA
"Transpassado Tempo" é o poema da visão cósmica. Nele, Pedrim revela a origem em Orion, a missão na Terra, a tríade ELKE e o destino final.
O tempo é "transpassado" — o eu lírico vê através dele, conecta passado, presente e futuro numa só mirada sobre o mar.
A espera na praia é a mesma de #009 ("Pelo Mar Sem Fim"), mas agora com uma certeza: "Eu sei que chegará chegará". O navio virá, a subida acontecerá, o regresso à origem se cumprirá.
A mitologia de Orion e ELKE atinge aqui seu ponto mais alto. Somos "seres fabulosos", criados por Deus, que descemos de Orion e nos infiltramos na Terra. ELKE se revela em suas três faces: obedece, abençoa, destrói.
A dança dos dois — eu e Matheus — é a imagem da união cósmica. Entrelaçados, profetizam o caos e testemunham o fim.
A crítica social é implacável: políticos corruptos, ganância, ambição — tudo será julgado. Deus fareja como cão de caça, e só os justos serão salvos.
E a assinatura final — "Em busca de Matheus" — é o fio que costura todo o poema. A visão cósmica, a mitologia, o juízo final — tudo está a serviço da busca. Matheus é o centro, o príncipe, a metade, o chão.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 2012.
BENJAMIN, Walter. O Anjo da História. Belo Horizonte: Autêntica, 2012.
DERRIDA, Jacques. Espectros de Marx. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012.
MOLTMANN, Jürgen. Teologia da Esperança. São Paulo: Teológica, 2003.
NIETZSCHE, Friedrich. Assim Falou Zaratustra. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.
LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]
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CRÉDITOS AUTORAIS
Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
LÉLLIS, PHS.
Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)
Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.
Contatos:
📧 pedrimpescador@gmail.com
📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078
🌐 https://pedrimpescador.blogspot.com
📍 Vila Velha/ES - Brasil
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Nota: Esta é a vigésima segunda análise da série. O poema #032 é o mais cosmogônico da obra — a revelação da origem em Orion, a tríade ELKE, a dança cósmica, o juízo final. Tudo isso em função de uma busca: "Em busca de Matheus". O amor é o centro do universo.
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