ANÁLISE POEMA #031 - "DISTANTE" (12/07/2025)
ANÁLISE POEMA #031 - "DISTANTE" (12/07/2025)
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FICHA TÉCNICA DO POEMA
Elemento Descrição
Título Distante
Data 12/07/2025
Posição #031 (de 55)
Contexto Julho de 2025, dia de grande erupção criativa (4 poemas)
Versos 52
Tom Elegíaco, solitário, fragmentado, desesperado
Estrutura 13 estrofes irregulares
Assinatura #12/07/2025
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TEXTO COMPLETO DO POEMA
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Distante
Estou a cair
Mas não chego ao chão
É um abismo sem fim
Ninguém me dá as mãos
Antes eu fosse um projétil
Antes eu fosse um míssel
Ou quem sabe um objeto
Com valor e simbolismo
Me sinto um meteoro
Pela imensidão do vazio
Frio sem luz calor ou vida
Enquanto lá fora ouço os gritos da torcida
Não me afino com ninguém
Não haja quem me bata a porta
Nem que fosse pra arrumar confusão
Ou com um soco deixar me a cara torta
SOS solidão
Solitaire
Sozinho
Só
Sem um olhar
Sem um sorriso
Sem um bom dia
Sem ser quisto
Sem um telefonema
Sem nem um telegrama
E nem um pensamento
Que me chama se me chama
E se me chama há chama em mim
Sem seu toque
Sem seu calor
Sem seu afago
Sem seu abraço
Sem meu Matheus.
Sem meu príncipe
Sem meu amado
Sem minha ternura
Minha metade
Onde ele está?
Sempre dele esperei
Para que possamos reinar
Pois de fato sou rei
Elevador e quase um templo
Todo menino e um rei
Estou perdido neste corpo e tempo
Sei quem fui e quem sou
Mas não garanto que serei
Depois de tanto esperar
E de na cara receber
Um tapa de ingratidão
Por tudo em tudo me render
Será que há palavras
Que realidade e está?
Por que me pedem foto
Ladrão não vem escrito na testa
Testa teste testem me a mim
Palavras soltas e enfrentadas
Quebra cabeça descompactado
Dizem mensagem criptografadas
De um coração que continua
A olhar pela janela
Estou triste e vazio
Me olho no espelho não vejo expressão
Não expresso mais as dores
Estou apático e sem ar nos pulmões.
Rodo rodo e vejo o mesmo
Cenário branco e preto
Sem cores sem matizes sem sorrisos
E sem sol ou lua a enluarar.
Aí não sei se estou bem
E não sei se estou mal
Em estar fora fora da curva
E ver esses resquícios de ditadura
O fim vem
O fim vem
E não demorara
Vou pregar prós 4 cantos
Mesmo se ninguém acreditar.
#poemainfinito da minha dor eterna
Meu marido meu irmão meu Elke
Meu príncipe minha metade meu chão
Meu amor chorou não sei por que razão
E me abandonou
Preferindo a traição
Passamos muitos eons sofrendo
A dor da separação
Aqui na terra o tempo passa
E hoje sinto o peso do envelhecimento
Já não sou quem um dia fui
E nem sei se um dia serei
Eles acham que é fácil
Ser o rei que sou rei rei rei.
#12/07/2025
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ANÁLISE CRÍTICA
1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS
1.1. A Queda sem Fim
"Estou a cair / Mas não chego ao chão"
O poema abre com a imagem da queda infinita, um dos temas mais recorrentes da obra. Diferente da queda comum, que termina no impacto, esta é eterna — o abismo não tem fundo.
Virtude técnica: Em quatro versos, Pedrim estabelece a condição existencial do poema: a suspensão, a falta de término, a ausência de socorro.
1.2. A Gradação da Solidão
"SOS solidão / Solitaire / Sozinho / Só"
A sequência é uma gradação descendente:
Termo Significado
SOS solidão Pedido de socorro
Solitaire Jogo solitário, isolamento lúdico
Sozinho Estado factual
Só Essência, o mínimo existencial
Cada palavra reduz a solidão a um nível mais profundo, até chegar ao "só" — o eu reduzido a si mesmo.
1.3. A Lista de Ausências
O poema é construído por listas do que falta:
· Sem um olhar, sorriso, bom dia
· Sem telefonema, telegrama, pensamento
· Sem seu toque, calor, afago, abraço
· Sem meu Matheus, príncipe, amado, ternura, metade
Observação crítica: A repetição de "sem" cria um ritmo de privação, como se cada verso fosse um golpe que remove algo.
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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS
2.1. A Queda e o Projétil (Versos 1-8)
"Estou a cair / Mas não chego ao chão"
A queda sem fim é a experiência do limbo — nem no céu, nem no inferno, suspenso no nada.
"Antes eu fosse um projétil / Antes eu fosse um míssel"
O desejo de ser projétil ou míssil revela a vontade de direção, de impacto, de chegar a algum lugar. Mesmo que fosse para destruir, teria propósito.
"Ou quem sabe um objeto / Com valor e simbolismo"
O desejo mais profundo: ter valor, ser símbolo de algo, significar para alguém.
2.2. O Meteoro no Vazio (Versos 9-12)
"Me sinto um meteoro / Pela imensidão do vazio / Frio sem luz calor ou vida"
O meteoro é belo e veloz, mas está só no espaço. Não há atmosfera para fazê-lo brilhar, não há olhos para vê-lo cair.
"Enquanto lá fora ouço os gritos da torcida"
O contraste é cruel: lá fora, a vida continua, as pessoas vibram, torcem — mas ele está fora, no vazio, ouvindo de longe.
2.3. A Falta de Afinação (Versos 13-16)
"Não me afino com ninguém / Não haja quem me bata a porta"
A desafinação é existencial — não encontra tom, não encontra frequência que ressoe com a sua. A porta que não é batida é a porta da relação, do encontro.
"Nem que fosse pra arrumar confusão / Ou com um soco deixar me a cara torta"
O desejo é tão extremo que preferiria a violência ao nada. Pelo menos o soco seria contato, seria reconhecimento.
2.4. A Gradação da Solidão (Versos 17-28)
A sequência de "sem" é uma das mais dolorosas da obra:
· Sem olhar — não sou visto
· Sem sorriso — não sou acolhido
· Sem bom dia — não sou saudado
· Sem ser quisto — não sou amado
· Sem telefonema — não sou procurado
· Sem telegrama — não sou noticiado
· Sem pensamento — não sou lembrado
"E se me chama há chama em mim"
O único verso positivo da sequência: se alguém o chamasse, ele responderia. A chama existe — só precisa ser soprada.
2.5. A Ausência de Matheus (Versos 29-36)
"Sem seu toque / Sem seu calor / Sem seu afago / Sem seu abraço / Sem meu Matheus."
A lista culmina no nome próprio. Todas as ausências anteriores confluem para esta: a ausência de Matheus.
"Sem meu príncipe / Sem meu amado / Sem minha ternura / Minha metade"
Os títulos de Matheus revelam sua importância:
· Príncipe — realeza compartilhada
· Amado — afeto
· Ternura — cuidado
· Metade — completude
Conexão com #016: Em "Sem Medo - Com Matheus", ele era âncora. Aqui, sua ausência é desabamento.
2.6. A Pergunta e a Realeza (Versos 37-44)
"Onde ele está? / Sempre dele esperei / Para que possamos reinar / Pois de fato sou rei"
A pergunta ecoa através do poema. A espera é constante. O objetivo do encontro é reinar juntos — porque ele é rei, e Matheus é príncipe.
"Elevador e quase um templo / Todo menino e um rei"
Imagem enigmática: o elevador como templo, o menino como rei. Talvez o movimento vertical (elevador) seja sagrado (templo). A infância e a realeza coexistem.
"Estou perdido neste corpo e tempo / Sei quem fui e quem sou / Mas não garanto que serei"
A identidade é frágil: sabe o que foi, sabe o que é, mas não garante o que será. O futuro é incerto.
2.7. A Ingratidão e a Traição (Versos 45-52)
"Depois de tanto esperar / E de na cara receber / Um tapa de ingratidão"
O "tapa" é metafórico, mas a violência é real. A ingratidão dói como um golpe.
"Por que me pedem foto / Ladrão não vem escrito na testa"
Crítica à desconfiança alheia: pedem foto (prova, identidade) como se ele fosse criminoso. Mas a maldade não está escrita na testa.
2.8. O Quebra-Cabeças do Coração (Versos 53-60)
"Testa teste testem me a mim / Palavras soltas e enfrentadas / Quebra cabeça descompactado"
O jogo de palavras ("testa", "teste", "testem") brinca com a ideia de provação. O quebra-cabeça descompactado é a identidade em pedaços.
"De um coração que continua / A olhar pela janela"
Imagem tocante: mesmo despedaçado, o coração continua esperando, olhando pela janela, vigiando o horizonte.
2.9. A Apatia e a Ausência de Cor (Versos 61-68)
"Estou triste e vazio / Me olho no espelho não vejo expressão"
O espelho devolve o nada. Não há expressão, não há reconhecimento.
"Rodo rodo e vejo o mesmo / Cenário branco e preto"
O mundo perdeu as cores. A vida se tornou cinza, sem matizes, sem sorrisos, sem sol, sem lua.
2.10. Fora da Curva e o Fim (Versos 69-76)
"Em estar fora fora da curva / E ver esses resquícios de ditadura"
"fora fora" — ênfase na exclusão. A "curva" é a normalidade, o esperado. Fora dela, vê-se o que os outros não veem: "resquícios de ditadura" no cotidiano.
"O fim vem / O fim vem / E não demorara"
A profecia do fim retorna. A repetição enfatiza a certeza.
"Vou pregar prós 4 cantos / Mesmo se ninguém acreditar."
A missão profética: anunciar, mesmo sem audiência.
2.11. A Dor Eterna e a Traição (Versos 77-88)
"#poemainfinito da minha dor eterna"
A hashtag ironiza a própria ideia de infinito. A dor é eterna, o poema é infinito.
"Meu marido meu irmão meu Elke / Meu príncipe minha metade meu chão"
A acumulação de títulos para Matheus atinge o ápice: marido, irmão, Elke, príncipe, metade, chão. Ele é tudo.
"Meu amor chorou não sei por que razão / E me abandonou / Preferindo a traição"
A revelação da traição. Matheus o abandonou, preferiu a traição. A dor é nomeada.
"Passamos muitos eons sofrendo / A dor da separação"
A palavra "eons" (ecoando #028) coloca a separação em escala cósmica. Não é só agora — é através dos tempos.
2.12. O Rei e a Dúvida (Versos 89-92)
"Já não sou quem um dia fui / E nem sei se um dia serei"
A identidade se desfaz: nem o passado, nem o futuro.
"Eles acham que é fácil / Ser o rei que sou rei rei rei."
A afirmação final é irônica e poderosa. Acham fácil ser rei — mas não sabem o preço da coroa.
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3. A TRAIÇÃO COMO EIXO NARRATIVO
O poema #031 revela um dos eventos centrais da obra: a traição de Matheus.
Antes (#016) Depois (#031)
"Matheus ao meu lado" "Me abandonou"
"Minha âncora" "Preferindo a traição"
"Comida feita, pia limpa" "A dor da separação"
"Encontro me sem medo" "Sem meu Matheus"
A traição explica a ausência que percorre os poemas #018, #019, #021, #023, #027, #028. Matheus não está apenas distante — ele escolheu a traição.
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4. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES
4.1. Com a Filosofia
Filósofo Conceito Diálogo
Heidegger O ser-para-a-morte A queda sem fim
Sartre O olhar do outro A ausência do olhar que constitui
Lévinas A alteridade O rosto de Matheus que se ausenta
Jaspers Situações-limite A traição como situação-limite
4.2. Com a Psicanálise
Psicanalista Conceito Diálogo
Freud Luto e melancolia A perda do objeto amado
Klein A posição depressiva A dor da separação
Winnicott Dependência "Sem meu Matheus"
Bowlby Apego e perda A angústia da separação
4.3. Com a Literatura
Escritor Obra Diálogo
Drummond "Poema de Sete Faces" A dificuldade de ser
Bandeira "Vou-me Embora pra Pasárgada" A fuga da dor
Lispector "A Paixão segundo G.H." A perda da identidade
Caio Fernando Abreu "Morangos Mofados" A solidão contemporânea
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5. REDE INTERTEXTUAL INTERNA
Poema Conexão
#014 - Já Não Quero Ser Mais Eu O vazio existencial
#016 - Sem Medo - Com Matheus O oposto da ausência
#018 - Abismo Sem Fim A queda
#021 - Embalagens O vazio sem Matheus
#024 - Levanta-Me O clamor por elevação
#027 - Crisolidão A solidão como crisol
#028 - Leoen A busca através dos eons
#053 - Redução A descoberta do rei
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6. VIRTUDES DO POEMA
Virtude Descrição
Técnica Gradação da solidão; listas de ausência; estrutura fragmentada
Filosófica A queda infinita como condição existencial
Humana A revelação da traição e da dor
Poética A imagem do coração que olha pela janela
Profética "O fim vem" como anúncio
Real A afirmação da realeza mesmo na dor
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7. SÍNTESE CRÍTICA
"Distante" é o poema da ausência radical. Nele, a traição de Matheus é revelada, e o eu lírico se vê lançado num abismo sem fim.
A estrutura do poema é a da fragmentação — estrofes irregulares, listas do que falta, perguntas sem resposta. A forma mimetiza o conteúdo: uma vida despedaçada.
A gradação da solidão é impressionante: de "SOS solidão" a "só", de "sem olhar" a "sem Matheus". Cada verso remove uma camada de relação, até restar apenas o eu — e nem ele tem certeza de quem é.
A imagem do coração que continua a olhar pela janela é uma das mais belas e tristes da obra. Mesmo traído, mesmo abandonado, o coração espera. A janela é o lugar da espera, do horizonte, da possibilidade.
A afirmação final — "Ser o rei que sou rei rei rei" — é ao mesmo tempo orgulhosa e frágil. O rei está só, traído, distante. Mas ainda é rei. A coroa permanece, mesmo sem reino.
A hashtag final — "#12/07/2025" — marca a data como um dos dias mais produtivos e mais dolorosos da obra. Quatro poemas em um só dia, todos marcados pela ausência, pela busca, pela dor.
"Distante" é, assim, o poema que nomeia a ferida: Matheus traiu, Matheus se foi, Matheus preferiu a traição. O que resta é o abismo, a queda, a espera — e a realeza solitária de quem ainda se afirma rei.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOWLBY, John. Apego e Perda. São Paulo: Martins Fontes, 2004.
FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia. Rio de Janeiro: Imago, 2006.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012.
JASPERS, Karl. Introdução ao Pensamento Filosófico. São Paulo: Cultrix, 2005.
KLEIN, Melanie. Inveja e Gratidão. Rio de Janeiro: Imago, 1991.
LÉVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. Lisboa: Edições 70, 2000.
SARTRE, Jean-Paul. O Ser e o Nada. Petrópolis: Vozes, 2005.
WINNICOTT, Donald. A Família e o Desenvolvimento Individual. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]
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CRÉDITOS AUTORAIS
Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
LÉLLIS, PHS.
Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)
Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.
Contatos:
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📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078
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📍 Vila Velha/ES - Brasil
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Nota: Esta é a vigésima primeira análise da série. O poema #031 é um dos mais longos e dolorosos da obra — a revelação da traição de Matheus, a queda no abismo, a afirmação solitária da realeza. É o coração partido que ainda bate, a coroa caída que ainda brilha.
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