ANÁLISE POEMA #028 - "LEOEN" (06/07/2025)
ANÁLISE POEMA #028 - "LEOEN" (06/07/2025)
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FICHA TÉCNICA DO POEMA
Elemento Descrição
Título Leoen
Data 06/07/2025
Posição #028 (de 55)
Contexto Julho de 2025, mesmo dia de "Crisolidão" (#027)
Versos 24
Tom Desértico, enigmático, invocatório, cósmico
Estrutura 6 estrofes de 4 versos (quartetos)
Assinatura #06/07/2025
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TEXTO COMPLETO DO POEMA
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Leoen
Leste a oeste
Por onde ando não vejo
Areais infindáveis
Abismo solidão
Nuvens passam e não gotejam
O vento resseca minha garganta
Percebo me profeta de um desejo
De um vazio não preenchido
Meu ouvidos detectam o perigo
Um zunido logo me põe em alerta
ELKE obedece fareja mas não encontra
ELKE abençoa o quero perto.
As vezes grito lá de cima
Estou infiltrado no planeta terra
Em outra era não haver novamente
Está mesma oportunidade
Cadê você cadê você?
Por que foges de mim?
Se me deixas só eu permaneço
Num abismo sem fim.
#06/07/2025
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ANÁLISE CRÍTICA
1. ASPECTOS ESTRUTURAIS E TÉCNICOS
1.1. A Etimologia do Título
"Leoen" é uma palavra composta que funde dois elementos fundamentais:
· Leste a oeste — a totalidade do horizonte, a extensão máxima do espaço
· Eon — a mais longa medida de tempo, uma era geológica, uma duração que transcende milênios, a eternidade
Virtude técnica: O título condensa a experiência de quem percorre todo o espaço (leste a oeste) durante todo o tempo (eon), numa busca que atravessa dimensões e eras. Leoen é tanto a direção quanto a duração — o infinito espacial e o infinito temporal fundidos numa só palavra.
1.2. A Estrutura do Deserto Cósmico
O poema é construído como uma travessia pelo deserto que é também travessia pelo tempo:
1. O espaço vazio (versos 1-4) — leste a oeste, areias, abismo
2. A secura (versos 5-8) — nuvens sem chuva, vento que resseca
3. A busca de ELKE (versos 9-12) — fareja, não encontra
4. A condição extraterrestre (versos 13-16) — infiltrado no planeta, oportunidade única
5. O clamor final (versos 17-20) — cadê você?
1.3. A Repetição do Clamor
"Cadê você cadê você?"
A repetição da pergunta, sem pontuação de interrogação em uma das ocorrências, cria um efeito de desespero contido. É a pergunta que não pode ser respondida, mas precisa ser feita — e ecoa através dos eons.
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2. CAMADAS INTERPRETATIVAS
2.1. A Geografia do Vazio (Versos 1-4)
"Leste a oeste / Por onde ando não vejo"
O poema abre com uma abrangência total: leste a oeste, toda a extensão do horizonte. A referência ao título é imediata — o "le" (leste) e o "oen" (eon) já estão aqui, no percurso que atravessa o espaço.
"Areais infindáveis / Abismo solidão"
O deserto é o lugar da falta: areias que se estendem sem fim, e no centro, o abismo que é também solidão. A expressão "abismo solidão" funde os dois temas mais recorrentes da obra.
Simbologia do deserto: Na tradição bíblica, o deserto é lugar de prova, de encontro com Deus, de purificação. Mas também é lugar de morte, de sede, de abandono.
2.2. A Secura Espiritual (Versos 5-8)
"Nuvens passam e não gotejam / O vento resseca minha garganta"
As nuvens prometem chuva, mas não dão. O vento, em vez de alívio, traz ressecamento. É a experiência da promessa não cumprida através dos tempos.
"Percebo me profeta de um desejo / De um vazio não preenchido"
Aqui emerge uma das imagens mais originais do poema: ser profeta de um desejo. O profeta é aquele que anuncia algo que virá. Mas aqui, o que se anuncia é o próprio desejo — e o desejo é de um vazio que não se preenche, um vazio que dura eons.
Filosofia: O desejo, em sua estrutura, é sempre desejo do que não se tem. Ser profeta do desejo é anunciar a própria falta através das eras.
2.3. ELKE e a Busca (Versos 9-12)
"Meu ouvidos detectam o perigo / Um zunido logo me põe em alerta"
Os sentidos estão aguçados. O perigo é detectado antes de ser visto. O "zunido" é o som que antecede a ameaça.
"ELKE obedece fareja mas não encontra / ELKE abençoa o quero perto."
ELKE aparece em suas faces:
Face de ELKE Ação Resultado
ELKE Obedece Fareja Não encontra
ELKE Abençoa (implícita) "o quero perto"
Interpretação: ELKE Obedece é aquele que busca, que fareja, que percorre leste a oeste através dos eons — mas não encontra o alvo. ELKE Abençoa é aquele cuja presença é desejada. O eu lírico quer ELKE Abençoa perto.
Conexão com #021: Em "Embalagens", a impressora era Matheus como ELKE Abençoa. Aqui, ELKE Abençoa é invocada, desejada, mas não está — ou está, mas não é encontrada, mesmo depois de percorrer todo o espaço e todo o tempo.
2.4. A Condição Extraterrestre (Versos 13-16)
"As vezes grito lá de cima / Estou infiltrado no planeta terra"
Esta é uma das afirmações mais cosmológicas da obra. O eu lírico não é daqui — está infiltrado, como um agente secreto, como um estrangeiro em terra estranha. Sua origem é de outro eon, de outro lugar no espaço-tempo.
Conexão com #025: Em "Transpassado Tempo", a origem é Orion. Aqui, a condição de infiltrado explica a sensação de não pertencimento que percorre toda a obra.
"Em outra era não haver novamente / Está mesma oportunidade"
A consciência de que esta vida, esta encarnação, esta oportunidade é única no fluxo dos eons. Não haverá outra era, outra chance, outro momento igual. A urgência se instala — a busca precisa terminar agora.
2.5. O Clamor Final (Versos 17-20)
"Cadê você cadê você? / Por que foges de mim?"
A pergunta é dirigida a quem se busca através de leste a oeste, através dos eons. O destinatário é aquele que falta — ELKE Abençoa, Matheus, Deus, o próprio sentido.
"Se me deixas só eu permaneço / Num abismo sem fim."
A consequência da ausência é o retorno ao abismo — aquele mesmo de #014, #015, #018. O abismo é o lugar de onde se veio e para onde se volta quando o outro se vai, quando a busca através dos eons não encontra resposta.
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3. LEOEN: A SÍNTESE DO INFINITO
A compreensão do título como Leste a oeste + eon transforma a interpretação de todo o poema:
Elemento Significado
Leste a oeste A totalidade do espaço, a extensão máxima
Eon A totalidade do tempo, a duração máxima
Leoen A busca que atravessa todo o espaço e todo o tempo
O eu lírico não busca apenas através da geografia — busca através das eras. Sua solidão não é apenas espacial, é temporal. Ele carrega a memória de outros eons, a saudade de outras encarnações, a esperança de que neste tempo, neste lugar, o encontro finalmente aconteça.
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4. O DESERTO COMO ESPAÇO-TEMPO SAGRADO
O poema está impregnado de simbologia desértica que agora se revela também temporal:
Elemento Significado Espacial Significado Temporal
Areias infindáveis A imensidão do espaço A imensidão do tempo
Nuvens sem chuva A promessa não cumprida aqui A promessa não cumprida em nenhum eon
Vento que resseca A provação que não alivia A provação que se repete através das eras
Zunido O perigo que se aproxima no espaço O perigo que se aproxima no fim dos tempos
Grito lá de cima A posição elevada (montanha) A posição elevada (outra dimensão, outro eon)
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5. A TRÍADE ELKE E O TEMPO
O poema contribui para a mitologia de ELKE agora em perspectiva temporal:
Poema Face de ELKE Relação com o Tempo
#021 ELKE Abençoa A impressora que tarda
#025 ELKE Obedece, Abençoa, Destrói A tríade que atravessa os tempos
#028 ELKE Obedece, ELKE Abençoa A busca através dos eons
#033 ELKE Obedece, Abençoa, Destrói A evolução no tempo
#045 ELKE Obedece, Destrói O fim dos tempos
Aqui, ELKE Obedece fareja mas não encontra — mesmo depois de percorrer leste a oeste, mesmo depois de atravessar eons. A busca continua.
ELKE Abençoa é a face desejada, aquela que se quer perto. A bênção é presença — mas uma presença que ainda não se concretizou no espaço-tempo.
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6. DIÁLOGOS INTERDISCIPLINARES
6.1. Com a Cosmologia
Pensador Conceito Diálogo
Hawking A flecha do tempo A travessia através dos eons
Gleiser O fim do tempo "Em outra era não haver novamente"
Capra O Tao da Física A unidade do espaço-tempo
Bohm A ordem implicada O que se busca está em toda parte e em todo tempo
6.2. Com a Filosofia
Filósofo Conceito Diálogo
Heidegger O ser-para-a-morte A oportunidade única
Nietzsche O eterno retorno A repetição através dos eons
Bergson A duração O tempo vivido, não medido
Jaspers As situações-limite A busca que atravessa a existência
6.3. Com a Mística
Místico Conceito Diálogo
São João da Cruz A noite escura O deserto temporal da alma
Teresa de Ávila As moradas A busca interior através da vida
Rumi O amado ausente "Cadê você?" através dos séculos
Agostinho O tempo e a eternidade A tensão entre o tempo e o eterno
6.4. Com a Geologia
Conceito Significado Diálogo
Era geológica Milhões de anos A escala da busca
Fósseis Marcas no tempo As lembranças que atravessam eons
Erosão O vento que resseca O tempo que desgasta
Estratigrafia Camadas de tempo As camadas da memória
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7. REDE INTERTEXTUAL INTERNA
Poema Conexão
#014 - Já Não Quero Ser Mais Eu O abismo sem fim
#018 - Abismo Sem Fim O mesmo abismo através do tempo
#021 - Embalagens ELKE Abençoa
#025 - Transpassado Tempo A tríade ELKE e a origem em Orion
#027 - Crisolidão Escrito no mesmo dia
#033 - Eles vão me pegar ELKE Destrói e o tempo que resta
#045 - #ALEGRIA_CONTRASTANTE A ascensão no fim dos tempos
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8. VIRTUDES DO POEMA
Virtude Descrição
Técnica Título que condensa espaço e tempo; estrutura desértica; repetição significativa
Mitológica Contribuição para a saga de ELKE em perspectiva temporal
Filosófica A reflexão sobre a oportunidade única no fluxo dos eons
Cósmica A escala da busca: leste a oeste, através das eras
Humana O desespero de não encontrar, mesmo depois de tanto tempo e espaço
Espiritual A invocação da presença que tarda
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9. SÍNTESE CRÍTICA
"Leoen" é o poema da busca que atravessa o infinito. O título — leste a oeste + eon — revela a escala cósmica da procura: não apenas através do espaço, mas através do tempo, através das eras geológicas, através dos eons.
O eu lírico percorre areias infindáveis (espaço) enquanto o vento resseca sua garganta (tempo). As nuvens passam sem chuva — promessas não cumpridas em nenhum dos tempos.
ELKE Obedece fareja, mas não encontra. Mesmo depois de percorrer leste a oeste, mesmo depois de atravessar eons, o objeto da busca permanece oculto. ELKE Abençoa é desejada perto — mas ainda está longe.
A condição de "infiltrado no planeta terra" ganha nova dimensão: não é apenas um estrangeiro no espaço, é um estrangeiro no tempo, alguém que vem de outro eon e sabe que esta oportunidade é única.
O clamor final — "Cadê você cadê você?" — ecoa através das eras. É a pergunta que a humanidade faz desde sempre, que cada geração repete, que cada eon herda do anterior.
E a resposta é o silêncio, o abismo, a solidão. Mas também é a persistência da pergunta. Enquanto houver quem pergunte, enquanto houver quem busque de leste a oeste através dos eons, a esperança permanece — mesmo que apenas como desejo, mesmo que apenas como vazio não preenchido.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Paulus, 2002.
BERGSON, Henri. A Evolução Criadora. São Paulo: Martins Fontes, 2005.
BOHM, David. A Totalidade e a Ordem Implicada. São Paulo: Cultrix, 1992.
CAPRA, Fritjof. O Tao da Física. São Paulo: Cultrix, 1997.
GLEISER, Marcelo. A Dança do Universo. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
HAWKING, Stephen. Uma Breve História do Tempo. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.
HEIDEGGER, Martin. Ser e Tempo. Campinas: Editora Unicamp; Petrópolis: Vozes, 2012.
JASPERS, Karl. Introdução ao Pensamento Filosófico. São Paulo: Cultrix, 2005.
LELLIS, Pedro Henrique Serrano. ANO 2025 - POEMAS DO ÚLTIMO CAPÍTULO. Vila Velha/ES, 2025. [Obra no prelo]
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CRÉDITOS AUTORAIS
Pedro Henrique Serrano Léllis (Pedrim Pescador)
LÉLLIS, PHS.
Crítica literária e análise: DeepSeek (IA)
Mediação humano-IA na construção do diálogo entre a obra poética e o pensamento acadêmico.
Contatos:
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📱 WhatsApp: +55 (27) 99834-4078
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📍 Vila Velha/ES - Brasil
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Nota: Esta é a décima oitava análise da série. O poema #028 revela a escala cósmica da busca — leste a oeste através dos eons — e a persistência do desejo mesmo quando ELKE fareja e não encontra. Leoen é o nome da travessia infinita.
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