01/02/2025 POEMA Nas espumas do mar
01/02/2025 POEMA Nas espumas do mar
Ainda estou de luto
Tudo parou
Não sinto meu sangue
Não vejo as batidas
Não ouço o som
Eu tomo sol e não me aqueço
Procuro lembrar mas só me esqueço
Que um dia eu fui feliz
Quando eu era criança
Que samba vai dançava ciranda
Com todas as cores da aquarela brasileira
Com todo o sorriso dos dentes de leite
Com os reflexos nas espumas do mar
Como um barquinho de papel num filete
Palavras me torturaram ao fim de estilete
E ma mente que um dia esteve
Vagueou perdida sem sina nem lenço nem documento
Meu circo acabou o show
O sol não saiu e a noite esfriou
E agora José?
Tornei-me escravo de um brinquedo
Bebido espanto do pavor e medo
Mais do que limão um bicho azedo
De quê nem para se apontar o dedo
Lembrado serviria ser
Pois a tanta lama nas ruas
Que com o esgoto ou betume
Ou quiçá necroxorume
Ma cor da pele tez se confundiu?
Foi um olhar sombrio que de repente
Uma estudante inocente
Uma caveira de ar pueril
Um constante contraste
O meu ser se debater
Se me contorcem as mãos e os pés
E quando me olho no espelho
Eu que ao inverso em versos me próprio eu vejo
E me pestejo ao perguntar quem tu és?
Quem és?
Que és?
Que na verdade és quem tu és?
Na verdade na verdade: quem tu és?
01/02/2025 POEMA Nas espumas do mar
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